segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Padrões de corpos, feminismo e sua libertação.

O assunto que quero abordar hoje é sobre padrões de beleza que nós feministas lutamos para modificar, subverter ou destruí-los por completo, caso seja necessário. Os padrões de beleza são misóginos, utópicos, objetificadores e cruéis com todas as mulheres em suas gamas de interseções. O que eu pretendo com o ser bonita? O que ser é bonita ? Porque eu preciso me aceitar como bela?

Quando entrei na militância feminista eu odiava o meu corpo e o achava  uma aberração. Minha magreza excessiva, minha falta do que é considerado como feminino. Os padrões de beleza estão sempre nos sufocando, nos reprimindo, nos fazendo odiar o que somos ou que poderíamos ser. O feminismo me ajudou na auto aceitação, mas ainda não cheguei no body positive, expressão essa que me soa como imposição de amor próprio quase obrigatória dentro da militância. Minhas perguntas iniciais ainda não foram  respondidas. Porque eu preciso me aceitar como bela e me amar como sou? Existe algo nesse concepção que me incomoda. Essa imposição de auto aceitação que soa como regra. Eu procuro a libertação das minhas amarras de um projeto de beleza definido por padrão, eu procuro a paz de não precisar odiar meu corpo nem que seja por amor ou por um sistema que me ensinou isso desde sempre. Desde quando eu cresci e tive meus primeiros pelos e quando foram sutilmente colocados a mostra me tornei motivo de piada por ser uma mulher que não tinha higiene. 

A minha experiência como uma mulher cis, afrodescendente e magra dentro do feminismo é que ele ainda prega e tem resquícios desse padrão cujo o qual eu me encaixo muito bem, isso me incomoda. O feminismo que seleta corpos e esculpe seu próprio " padrão de corpo da auto aceitação". Excluindo o que não se torna belo aos olhos da libertação. O corpo branco e magro ainda é maioria em fotos, revistas, tumblrs e etc. Os mesmos que se dizem feministas e libertários.Será que é por isso que lutamos contra um padrão ? Será que foi essa resistência que lutamos? Ou estamos lutando contra toda e qualquer forma de padrão?

Eu quero a liberdade e a subversão de ter o meu corpo não catalogado, sugerido, requisitado apenas para ser uma bela foto em um ensaio com mais do mesmo, eu quero a liberdade de não precisar existir um padrão para que eu seja aceita, eu quero a liberdade de ser/existir da forma como eu quiser. 


Então vamos parar de corroborar com patriarcado e perpetuar velhas formas, quando na verdade queremos mais corpos reais e livres. Queremos apenas isso, a nossa liberdade de sermos o que quisermos, até mesmo não belas. 

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